Bolsonaro contratou serviços de transporte aéreo, alimentos e bebidas

Notas fiscais de gastos no cartão corporativo começaram a ser divulgadas na segunda

Publicado terça-feira, 24 de janeiro de 2023 às 18:54 h | Atualizado em 24/01/2023, 19:09 | Autor: João Guerra
De acordo com registros do cartão corporativo, Bolsonaro gastou R$ 242.896,00 em quatro anos de mandato
De acordo com registros do cartão corporativo, Bolsonaro gastou R$ 242.896,00 em quatro anos de mandato -

O site “Fiquem Sabendo” começou a divulgar na segunda-feira, 23, as notas fiscais que detalham os gastos do cartão corporativo da Presidência da República, com base nos dados divulgados pela própria página de checagem de fatos com as despesas desse método de pagamento desde 2003 na última semana.

Como as notas são físicas, a equipe do Fiquem Sabendo começou a digitalizar as notas referentes aos gastos da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL) entre 2019 e 2022. Até o momento, a plataforma disponibilizou apenas cerca de 20% dessas notas fiscais. 

Dentre os R$ 242.896,00 gatos na Bahia nos quatro anos da gestão Bolsonaro, o site já apresentou sete notas totalizando R$ 13.640,00 para a contratação de auxiliares de transporte aéreo da empresa Dnata Brasil, em Porto Seguro, emitidas no dia 2 de fevereiro de 2021. Na descrição da nota, diz que a empresa prestou serviços de atendimento aeroterrestre. 

Além disso, nas notas já divulgadas, foram mostrados os valores de:

- R$ 648,15 em óleo diesel no Posto Noventa em Luís Eduardo Magalhães, no dia 28 de maio de 2021.

- R$ 3209,79 em refeições, refrigerantes, sucos, água mineral e gelo na empresa WINCK ALIMENTOS E SERVI€OS EIRELI de Porto Seguro, no dia 30 de dezembro de 2020.

Confira as notas já divulgadas:

Os valores já demonstrados em notas fiscais são apenas uma pequena parcela do que Bolsonaro gastou na Bahia com o cartão corporativo. Nos dados apresentados no dia 12 de janeiro, apontam que os registros de despesas do ex-presidente em 173 registros, de acordo com o que foi divulgado através de pedido feito pela Lei de Acesso à Informação (LAI). 

Confira os registros: 

Veja os locais nos quais o cartão corporativo foi utilizado na gestão Bolsonaro:

No Brasil, ao pesquisar as notas já digitalizadas, há descrições de compras de itens que aparecem forma de brigadeiro, leite condensado, Nutella, picanha, bombom Sonho de Valsa, salgadinho Fandangos de queijo e Doritos, camarão, materiais para festas infantis, lápis de cor Faber Castell, panetone da Cacau Show, desodorantes. 

O site alerta para o fato de as notas estarem em caixas em um único lugar e que muitas delas estão praticamente apagadas e difíceis de ler. Além disso, explica o jornalista Luiz Fernando Toledo, editor da Revista Piauí e um dos fundadores da agência Fiquem Sabendo, há outras formas de não disponibilizar as descrições de notas para desvendar casos como, por exemplo, o gasto de R$ 44447,23 no Resort Vila Angatu, em Santa Cruz de Cabrália, no sul da Bahia no dia 10 de março de 2022, data em que Bolsonaro teve agenda em Brasília, no qual fez, inclusive, transmissão da sua tradicional live semanal. A reportagem entrou em contato com o hotel, mas até o momento do fechamento da matéria, não teve reotrno.

“Esses gastos são especificamente da Secretaria de Administração da Presidência da República e são os únicos que são públicos nos gastos da Presidência. Tem outros gastos do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que eles não divulgam. Segundo a secretaria informou para a gente e outros veículos na semana passada, alguns gastos podem ser colocados em sigilo pelo GSI ainda que não tenha sido o próprio GSI a gastar. Digamos que o Bolsonaro ou os seguranças fizeram alguma despesa, e o GSI entendeu que pode ser sigiloso, eles podem colocar em sigilo por tempo indeterminado”, explicou Luiz Fernando Toledo ao site Jota. 

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