Lojistas criam estratégias para conter inadimplência no varejo de moda

Aumento do calote aconteceu no primeiro semestre de 2022 em relação ao mesmo período do ano passado

Publicado segunda-feira, 22 de agosto de 2022 às 06:00 h | Autor: Leilane Suzarte*
Alta dos juros diminui o poder de compra e dificulta a capacidade de pagamento dos consumidores
Alta dos juros diminui o poder de compra e dificulta a capacidade de pagamento dos consumidores -

A alta dos juros diminui o poder de compra e dificulta a capacidade de pagamento dos consumidores, levando as redes de lojas a ter que controlar a inadimplência e aumentar as vendas a prazo para garantir resultados promissores. Um estudo inédito feito pelo Meu Crediário revelou que a inadimplência do crediário no varejo de moda na Bahia registrou um avanço de 19,36% no primeiro semestre de 2022 em relação ao mesmo período do ano passado.

Tal situação faz com que os lojistas tenham que criar estratégias para impedir prejuízos no seu negócio, buscando conquistar mais clientes e ter mais lucros em suas vendas. Dessa forma, é necessário saber o seu público-alvo e traçar planos para alcançar bons resultados. 

Segundo Jeison Schneider, CEO do Meu Crediário, houve uma redução no índice de inadimplência nos primeiros meses deste ano comparado ao que estava antes da pandemia. Ele explica que a falta de pagamento nos prazos certos acontece antes do endividamento, que é no período de vencimento das parcelas, onde os clientes que deixam de pagar a vista começam a comprar a prazo ou pelos novos entrantes, que são aqueles que buscam operação no crediário depois de ter tido uma perda no poder de compra.

Em comparação ao Brasil, o Nordeste registra inadimplência um pouco mais acentuada. “A gente espera  que a queda de inflação ajude a reverter a inadimplência. Pelo menos no segundo trimestre do próximo ano, começar a ter uma economia onde as vendas voltem ao patamar um pouco melhor”, afirma o CEO.

Expectativa positiva

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,68% no mês passado, com o acumulado em 12 meses caindo de 11,89% para 10,07% no país. A tendência é que, caso os índices de julho se confirmem em outros meses, a desaceleração da inflação pode resultar na diminuição dos juros e maior aumento do poder de compra das pessoas, principalmente para aqueles que possuem renda de até dois salários mínimos, beneficiando, assim, tanto os varejistas quanto os consumidores.

O professor de economia Edval Landulfo relata sobre a questão de que no período pandêmico os comerciantes tiveram que fechar as suas lojas por tempo indeterminado devido ao cenário de crise sanitária e no início deste ano, com as atividades abertas, apareceram novos clientes que optaram por fazer suas compras também no crediário. Ele ainda conta como o lojista pode obter mais lucros e maior rentabilidade nas suas vendas:

“O ideal é que eles negociem com seus fornecedores para que eles recebam um desconto nessa negociação e tente repassar com o desconto tanto do fornecedor como o dele para o cliente porque, provavelmente, vai aumentar o faturamento. É importante tentar vender o máximo de peças possíveis e isso é interessante por meio desses descontos”, enfatiza Landulfo.

Além disso, com as datas comemorativas para os últimos meses do ano, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal, pode movimentar o varejo da moda e trazer melhorias nas vendas no segundo semestre. Os dados apurados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), mostra que as vendas do varejo baiano tiveram um recuo de 1,6%, porém o segmento de tecidos, vestuários e calçados registrou a maior variação positiva de 20,9% em junho.

Schneider analisa que nos próximos meses terá um bom desempenho no varejo de moda e que a inadimplência comece a voltar aos índices normais. “O lojista vai segurar um pouco mais os créditos e selecionar melhor os clientes e, com base nisso, a própria inadimplência irá ceder. Um outro aspecto é que, no mês de dezembro, onde boa parte da população, principalmente, quem trabalha com carteira assinada recebe o 13º salário. Então, muitos aproveitam esse dinheiro para colocar as contas em dia”, esclarece o CEO do Meu Crediário.

Diante desse cenário, o economista dá algumas dicas aos varejistas de moda para evitar a inadimplência e aumentar o seu negócio de vendas. “Os lojistas podem aproveitar esse momento para fidelizar os clientes que estão adimplentes, buscar novos consumidores para que o seu portfólio de venda aumente e, consequentemente, suas vendas também. Outra dica é fazer combos de ofertas e investir numa nova repaginação das lojas, com uma vitrine bem organizada feita no outro tipo de perfume. Isso tudo atrai aquele cliente que gosta de comprar por moda, gosta de se vestir bem”, sugere Landulfo.

* Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló

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