Turbinado pela facada em 2018, agora Bolsonaro joga o bateu levou

Bolsonaro não conta com a facada, mas em compensação, tem o poder, a máquina

Publicado terça-feira, 30 de agosto de 2022 às 00:30 h | Autor: Levi Vasconcelos
Bolsonaro, alvo de todos, avalia, como Lula, fugir de debates
Bolsonaro, alvo de todos, avalia, como Lula, fugir de debates -

No dia 6 de setembro de 2018 Jair Bolsonaro, então líder nas pesquisas para as eleições que aconteceriam 31 dias depois (7 de outubro), recebeu a célebre facada em Juiz de Fora, Minas. Daí até a urna ganhou as atenções de todas as mídias 24 horas por dia, sem abrir a boca e por motivo justo.

Agora em 2022 o papo é outro. Bolsonaro até foi a Juiz de Fora na abertura da campanha, mas o que funcionou mesmo como pontapé inicial foi o debate de anteontem na Band. E nele, ele levou bordoadas (políticas e não criminosas) por todos os lados.

Claro que tem uma diferença gigante. Se Bolsonaro não conta com a facada temperada com indignação com os escândalos revelados pela Lava Jato, em compensação, tem o poder, a máquina.

Pesquisas —É justamente por isso também que em 2022 Bolsonaro está bem melhor posicionado nas pesquisas do que em 2018. Mas ele corre atrás para recuperar parte do prejuízo. No embalo da facada formou-se no entorno dele enorme ajuntamento político que lhe garantiu a vitória.

E desses que se juntaram no calor da reta de chegada de 2018, muitos hoje são inimigos fidagais dele, como o deputado federal Alexandre Frota, o ex-ator pornô, a também deputada Joyce Hasselman e aqui na Bahia a deputada federal Dayane Pimentel, só para citar alguns.

Aliás, antes de assumir o governo, o combate ostensivo na boca e nas redes do toma lá dá cá fazia parte do discurso. Isso é passado. Agora ele pergunta: ‘Vou governar com quem?’.

Deputado diz que Queiroga promoveu ‘a hora do espanto’

Um deputado federal do Centrão, aliado de Bolsonaro lá, apoiador de ACM Neto cá, comentava ontem que o próprio governo cria situações que fica muito difícil defender, ainda mais no calor de uma campanha eleitoral.

Se referia especialmente ao caso dos planos de saúde. A Justiça disse que eles não estão obrigados a pagar tratamentos não previstos pela Agência Nacional de Saúde, inclusive o câncer, o Congresso acelerou um projeto de lei apresentado no início do ano pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) fazendo exatamente o contrário, garantindo a obrigatoriedade da assistência.

— Imagine você que o Queiroga foi lá no Congresso defender os planos de saúde, totalmente na contramão do que o povo quer.

Pergunta ele:

— E  Bolsonaro vai vetar? 

Novos debates agora incertos

Se Bolsonaro foi mal no debate da Band, Lula também. Resultado: ontem os comandos das campanhas dos dois, que lideram as pesquisas, cada um com suas razões, disseram que vão reavaliar a conveniência de ir aos próximos debates ou não.

Na real, os dois já hesitaram em ir ao da Band, acabaram cedendo e acham que só têm a perder. Quem mais gostou foi a senadora Simone Tebet (MDB). Ganhou pontos.

Debate abafou motociata em Vitória da Conquista

Jornalistas dizem que notícia tem hierarquia e é verdade. Eis aí um caso típico: sábado Bolsonaro visitou Vitória da Conquista, mas o debate da Band no domingo abafou completamente a repercussão da presença dele na Bahia.

Também, a passagem de Bolsonaro em Conquista parece ter tido mais o objetivo de ajudar João Roma (PL), o candidato ao governo alinhado com ele no Estado.

Em Conquista, Bolsonaro até chamou a atenção ao convocar o povo para ir as ruas no 7 de setembro, com a ressalva: ‘Queremos mesmo é a defesa da democracia’.

Embora algumas panelas tenham ecoado o som, na motociata tinha muita gente.

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