Geddel: ‘Não fui condenado a ficar calado, viver debaixo da cama’

Justamente por conta de não ter falado que Geddel saiu da cadeia após perrengue com escândalo das malas

Publicado terça-feira, 20 de setembro de 2022 às 05:30 h | Autor: Levi Vasconcelos
Geddel admitiu que foi muito pressionado pelo Ministério Público e outros
Geddel admitiu que foi muito pressionado pelo Ministério Público e outros -

A história não tem muitos relambórios sobre o destino de traidores, seja lá quem for e por que for: é o limbo. O mais emblemático deles é Judas, o que traiu Jesus, mas temos também Silvério dos Reis, o traidor de Tiradentes, que teve de ir morar nos cafundós do Piauí porque em Minas se ficasse, morria.

No cenário dos fatos recentes temos dois casos notáveis. Roberto Jefferson, o dono do PTB, envolvido no Mensalão, foi condenado a pouco mais de sete anos de cadeia, com delação premiada. Valdemar Costa Neto, o dono do PL também, sete anos e pouco, mas sem delatar. Resultado: hoje Jefferson está jogado num canto e Valdemar é o presidente do partido do presidente Bolsonaro.

Em cena —É justamente por conta de não ter falado que Geddel saiu da cadeia após o perrengue com o escândalo das malas de R$ 51 milhões e hoje ainda é querido e respeitado no MDB, o partido dele. Ontem, em entrevista ao programa Isso é Bahia, na rádio A TARDE FM, a primeira desde que saiu da prisão, ele disse que não foi condenado a ficar debaixo da cama, por isso está aí. Admitiu que foi muito pressionado pelo Ministério Público e outros:

— Eu nunca topei aliviar o meu lado entregando os outros. Não está em mim.

Geddel admite que sofreu muito, chorou à exaustão, e diz que talvez tenha errado por não ter reagido à forma como se fazia o jogo político. Também afirmou que recebeu muitas flechadas e avisou:

— Não conheço na política da Bahia ninguém com autoridade moral para falar de mim.

Alguém vai arriscar?

No enterro da rainha, Bolsonaro mais perdeu

Se Bolsonaro foi ao enterro da rainha Elizabeth II pensando em obter dividendos políticos, a menos de 15 dias das eleições, calculou mal.

Alguns apoiadores dele disseram que estar ao lado de grandes líderes mundiais num momento tão importante com certeza daria um toque de excelência na representatividade brasileira, mas não foi isso o que ocorreu.

Enquanto os ingleses choravam, ele falava para apoiadores da sacada da embaixada do Brasil em Londres, que de baixo gritavam ‘mito, mito’.

Resultado: apanhou forte na imprensa inglesa. E ontem, em conversa com os jornalistas, se saiu:

— Vocês acham que eu vim aqui fazer política? Pelo amor de Deus...

— Presidente, o Sr. leu os jornais de hoje?

— Não vou responder não. 

Hoje ele estará na ONU.  Será o último cartucho.

Alex Lima e o golpe no zap

Alex Lima (PSB), deputado estadual que não disputa a reeleição dizendo que preferiu cuidar da saúde, soltou o aviso: montaram um perfil falso dele no zap, com foto e tudo, através do qual mantiveram contatos com familiares e eleitores.

— Peço que não forneçam seus dados pessoais e nem façam doações a estas pessoas. Isso é golpe.

Que coisa mais triste. Os golpistas entram em tudo.

Nayara, de Moçambique para a Bahia e vice-versa

Nayara Homem, baiana que atualmente faz doutorado no Instituto Universitário de Lisboa, deu um tempo a si mesma para ir a Moçambique, na África, país que também fala o português, estudar a dança ritualística gute wankulu (grande dança), originária do povo Chewa, da tribo Bantu, que é  Patrimônio Imaterial da Humanidade desde 2008. E diz ter voltado de lá encantada.

— Moçambique e Brasil são pátrias irmãs, sobretudo quando eu falo de Bahia. Me senti em casa, pois há muitas semelhanças com o povo baiano, posso destacar aqui o amor e a facilidade com a dança, a hospitalidade e a alegria.

Ela diz que deseja estreitar os laços entre moçambicanos e baianos, no lado cultural.   

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