O lulismo e o bolsonarismo nas urnas

Equilíbrio na eleição mostra que bolsonarismo avança e empareda a direita democrática

Publicado segunda-feira, 03 de outubro de 2022 às 08:13 h | Autor: Claudio André de Souza*
Imagem ilustrativa da imagem O lulismo e o bolsonarismo nas urnas
-

Como num filme de ação no qual o mocinho apanha dos vilões, mas consegue vencer, apesar das dificuldades que quase o levam à morte, o lulismo sobreviveu nas urnas como fenômeno de representação política, quando há o encontro entre liderança e eleitores sob a mediação de um partido ideológico estável num sistema multipartidário, como tem sido o Partido dos Trabalhadores (PT). 

Depois das adversidades que envolveram a sua prisão em 2018, que o tirou do páreo da eleição após o impeachment de Dilma, o que levou à eleição de Bolsonaro, Lula (PT) reassume o posto como a principal liderança de oposição ao bolsonarismo com grandes chances de ser eleito presidente no segundo turno. Como adiantado pelas pesquisas eleitorais realizadas na reta final da campanha, Lula obteve 48,37% dos votos contra 43,25% do atual presidente (99,77% das urnas apuradas). Nem o ex-presidente conseguiu a vitória no primeiro turno, nem Bolsonaro ficou abaixo dos 40%, como cravaram vários institutos ao longo desta última semana.

O fôlego do bolsonarismo veio em um crescimento significativo no Sudeste, uma vez que Bolsonaro obteve mais votos do que projetavam as pesquisas. Vale ressaltar que nas disputas para os governos estaduais e para os Legislativos, vários nomes do bolsonarismo surpreenderam. A recuperação do bolsonarismo na reta final consolida-o como um fenômeno que veio para ficar. A eleição de Marcos Pontes (PL) como Senador por São Paulo e a vitória de Damares Alves (Republicanos) no Distrito Federal demonstram a resiliência do bolsonarismo. Por outro lado, a Federação partidária do PT passa a contar com 80 deputados federais, mas o PL de Bolsonaro elegeu 100 deputados e oito senadores, sendo que terá a maior bancada do Senado em 2023.

Este equilíbrio político mostra que do ponto de vista ideológico o bolsonarismo avança na sociedade e nas arenas da representação eleitoral, significando a médio prazo que a direita democrática está emparedada por uma extrema-direita voraz e radicalizada que não fenecerá facilmente, mesmo em um cenário de derrota de Bolsonaro no segundo turno.

Com quase 100% das urnas apuradas, o mapa eleitoral dos estados também aponta para o equilíbrio eleitoral: Lula venceu em 14 estados e Bolsonaro em 12 e no DF. O atual presidente também venceu em 16 capitais e Lula em 11, o que aponta para um cenário em aberto a ser disputado no segundo turno nos grandes centros urbanos.

Como uma exceção nas disputas aos governos estaduais, a força do bolsonarismo ficou longe de influenciar o resultado das eleições na Bahia. Conforme adiantado de forma exclusiva pelas rodadas depesquisa da AtlasIntel/A TARDE na última semana, a tendência de crescimento de Jerônimo Rodrigues (PT) confirmou o petista em primeiro lugar com 49,36% e ACM Neto (UB) em segundo lugar com 40,86% diante de uma estratégia testada e reprovada de se manter neutro no apoio a um candidato à presidência diante de um cenário de forte alinhamento nacional com o lulismo. O petista obteve na Bahia 69,67% ante 24,35% de Bolsonaro.

Com ambas as eleições rumo ao segundo turno, há uma tendência para o Brasil eleger Lula, assim como a Bahia decidir por Jerônimo Rodrigues. As duas eleições “casadas” novamente no segundo turno apontam para um alinhamento em que o lulismo reforçará o seu peso no voto dos baianos. Deu a lógica das últimas eleições. A esperar o segundo turno.

Publicações relacionadas