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Montadoras desaceleram e produção no país cai 19,4%

No acumulado de 2023, vendas e produção estão ligeiramente abaixo das projeções da Anfavea para o ano

Publicado quarta-feira, 10 de maio de 2023 às 07:00 h | Autor: Núbia Cristina
Montadoras tiveram de pisar no freio para adequar a produção à baixa demanda
Montadoras tiveram de pisar no freio para adequar a produção à baixa demanda -

As montadoras foram obrigadas a pisar no freio para adequar a produção à baixa demanda de mercado. Esse movimento teve impacto nos resultados do mês de abril. Segundo balanço divulgado anteontem pela Anfavea – a associação dos fabricantes -, das 13 paralisações de fábricas registradas este ano, nove ocorreram em abril, cujo total de 178,9 mil unidades produzidas foi 19,4% inferior ao volume do mês de março.  E 3,9% menor, no comparativo com abril do ano passado, no auge da crise dos semicondutores.  

No acumulado do ano, 714,9 mil autoveículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) foram produzidos no país, alta de 4,8% sobre o primeiro quadrimestre de 2022. A Anfavea tem a expectativa de pelo menos 47 mil unidades a mais produzidas no primeiro quadrimestre, chegando a 762 mil veículos. 

Houve ainda queda nos volumes de emplacamentos em abril, que teve 5 dias úteis a menos em relação a março. As 160,7 mil unidades emplacadas representaram um recuo de 19,2% sobre o volume de março, e um acréscimo de 9,2% sobre o mesmo mês do ano passado.

Emplacamentos

“Mesmo com as dificuldades de crédito e juros elevados que afetam sobretudo as vendas no varejo, emplacamos até agora 633 mil unidades em 2023, 14% a mais que no ano passado, quando a crise era somente de falta de oferta”, analisou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.

As vendas para locadoras, que totalizaram 42 mil unidades, apresentando uma leve redução em relação ao mês anterior com 53 mil unidades, continuaram sendo destaque no mês de abril. 

Das 633 mil unidades licenciadas de janeiro a abril, volume 14,4% superior ao do primeiro quadrimestre de 2022, 150 mil foram negociadas para locadoras de veículos, segundo a Anfavea. As vendas às locadoras cresceram 23% no quadrimestre, acima da média do mercado. No mês passado, as vendas diretas representaram 50% dos emplacamentos de veículos leves. 

O presidente da Anfavea mais uma vez fez críticas à atual taxa básica de juros, mantida mais uma vez em 13,75% na última reunião do Banco Central.  “Nós vamos continuar dando notícias de paralisações de fábricas ou coisas piores se os juros continuarem elevados”, afirmou Lima Leite, durante a entrevista coletiva de divulgação dos resultados de abril e do primeiro quadrimestre. 

As paradas nas fábricas para ajustes entre oferta e demanda continuam em maio e já existem novos agendamentos para junho. “Essa taxa de juros é incompatível com o crescimento da indústria e com a geração de empregos. Se é compatível com combate à inflação ou outros mecanismos é outra história”.

Exportações

Abril registrou queda nas exportações de autoveículos, com recuo dos principais mercados para os quais o Brasil envia seus produtos. Na Argentina, onde houve uma intensa restrição das importações por questões cambiais ao longo das três primeiras semanas do mês, a queda foi de 13%. México -18%, Colômbia -20% e Chile -48%. O total das exportações foi de 34 mil unidades, queda de 24% sobre março e sobre abril de 2022.  O quadrimestre somou 146,3 mil veículos, resultado 4,3% inferior ao dos quatro primeiros meses do ano passado.

O Chile, que apresentou a maior queda, no ano passado havia ultrapassado o mercado argentino: “O Chile era e ainda é visto como a grande promessa das nossas exportações e de crescimento do setor, que poderia ser destino das nossas exportações”, aponta Lima Leite.

Apesar da queda de 18% nas vendas para o México, os embarques para o país cresceram e houve incremento de 6 mil unidades. Com isso, o México passou a ocupar o posto de principal destino das exportações brasileiras de veículos em abril, respondendo por 37% do total. 

“Hoje este mercado é estratégico. Apesar do nosso número ainda ser baixo para o país, não fosse o México nossas exportações teriam sido muito pequenas em abril”, afirma o presidente da Anfavea. Mesmo com retração de mercado, a Argentina é historicamente o principal parceiro comercial do Brasil e segue como um destino muito importante, embora venha perdendo relevância.

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